22 de mai. de 2009

Crime passional condena à morte bilionário egípcio

Crime passional condena à morte bilionário egípcio
O poderoso e endinheirado senador egípcio Hisham Talaat Mustafá mandou matar a sua ex-amante a cantora libanesa Suzanne Tamim, em Dubai, no ano passado, ontem foi condenado a forca

Foto: Getty Images

O assassino, Mustafá e a vítima Tamim

Fonte: G1, Los Angeles Times, News Yahoo , Euronews

Um tribunal do Cairo condenou a morte, por enforcamento, o bilionário senador egípcio Hisham Talaat Mustafá, do partido do governo, que encomendou o assassinato da ex-namorada, a cantora libanesa Suzanne Tamim, degolada no Dubai, no dia 28 de Julho de 2008.

Pelo mesmo crime, como executante também foi condenado à pena de morte, o ex-policial egípcio Mushin Sukkari, que recebeu de Hisham Talaat Mustafá US$ 2 milhões para matar a cantora. Ele seguiu Tamim de Londres a Dubai, onde comprou uma faca e conseguiu entrar no apartamento da vítima fingindo ser um corretor de imóveis.

Milhares de policias cercaram o tribunal onde se realizou o chamado julgamento do dinheiro e do poder.

O executante do crime, Sukari, tinha gravações de conversas telefônicas entre ele e o Mustafá acertando detalhes do assassinato.

Fotos: Getty Images - Reuters

Hisham Talaat Mustafá o mandante e Mushin Sukkari, o executor pela morte de Tamim, tem um encontro marcado com o carrasco do Cairo.

No momento da prisão, o empresário estava sendo cotado para ocupar um cargo de confiança dentro da administração do governo egípcio.

As ações do grupo Talaat Moustafa, especializado em construção civil, despencaram em mais de 25% , depois que rumores sobre o envolvimento do empresário.

O advogado de defesa divulgou no mesmo instante que vai recorrer da sentença de morte.

Talaat, manteve uma relação sentimental com a cantora libanesa. Decidiu encarregar uma pessoa de matar depois de Suzanne Tamim o abandonar e partir para o Dubal, nos Emirados Árabes Unidos, onde fixou residência.

A condenação gerou polêmica no Egito. Parte da opinião pública acredita se tratar de um acerto de contas entre os altos figurões do partido governante.

O misterioso homicídio da libanesa dos olhos verdes
A beleza e a voz lhe trouxeram sucesso e lhe apressaram a morte

Foto: Getty Images

A polícia encontrou o corpo sem vida numa apartamento numa ilha do Dubai. Suzanne Tamim, cantora libanesa famosa em todo o mundo árabe, foi apunhalada e a sua face mutilada. Fãs da estrela da pop recordam as suas músicas, a sua beleza e uma vida cheia de escândalos

Foto: Getty Images

O luxuoso Jumeirah Residence em Dubai, onde encontrada morta.

Há oito meses não se tinha notícias da libanesa dos olhos verdes, mas, quando Suzanne Tamim voltou às manchetes dos jornais, foi pelas piores razões: o corpo da diva da pop libanesa fora encontrado sem vida no seu apartamento secreto, no famoso arquipélago da palmeira, Jumeriah, no Dubai.

A cantora e modelo de 31 anos foi esfaqueada várias vezes e mutilada.

“O rosto de Suzanne Tamim foi desfigurada com um cutelo com ela ainda viva" noticiou um site de noticia libanês El Nashra, que teve acesso a autópsia.

A polícia encontrou o cadáver na manhã seguinte ao homicídio depois de receber um aviso do primo que não a conseguia contatar.

Ao diário do Dubai The National uma camareira do complexo residencial onde vivia disse que viu Suzanne na noite da tragédia a subir para o seu apartamento com uns amigos.

Foto: Reuters

O funeral de Suzanne Tamim em Beirut

O assassínio de Suzanne Tamim pôs fim a uma vida escrita ao ritmo de polêmicas. Suzanne saltou para o estrelato em 1996, quando ganhou a Operação Triunfo do Líbano, o programa que se chama Fama, no Brasil.

. Segundo a revista Al Shabaka, a voz de Suzanne "permitia-lhe interpretar canções do difícil repertório árabe clássico, mas também cantar temas modernos da pop".

A mídia libaneses diz que esse foi o segredo do seu êxito fulgurante, mas, fugaz. Suzanne cantou algumas canções e foi atriz num musical antes de interromper a sua carreira musical.

A partir daí, a sua popularidade passou a alimentar-se dos escândalos da vida privada, a começar pelos dois casamentos.

Foto: Getty Images

O primeiro casamento da modelo libanesa acabou em divórcio. O segundo, com o produtor Adel Maatouk, proprietário da companhia Arab European Record Company de Beirute, pôs fim à sua carreira. Quando conheceu Suzanne, em 2002, Maatouk apaixonou-se e ofereceu um contrato à cantora por 15 anos, em regime de exclusividade, com o compromisso de relançar a sua carreira.

Oito meses depois começaram os problemas... Maatouk exigiu que Suzanne deixasse a música, mas ela negou-se. Em resposta, o produtor cancelou os discos e todos os concertos agendados. Suzanne ainda procurou outras editoras, mas Maatouk detinha os direitos da agora ex-mulher em exclusivo e impediu-a judicialmente.

O produtor estava decidido a destruir a sua carreira e perseguiu o seu objetivo por todos os meios. Primeiro, conseguiu uma ordem judicial que impedia Suzanne de viajar para fora do Líbano sem o seu consentimento. Depois conseguiu que a ex-mulher fosse proibida de atuar no Eleito e na Síria.

Foto: Getty Images

O casamento desfez-se entre denúncias de ruptura de contrato, ofensas e a acusação de roubo que levaram à detenção de Suzanne em 2004 no Eleito, onde passou dois dias na prisão. Um tribunal libanês chegou mesmo a condenar a cantora a dois anos de prisão - não cumpridos - e a pagar uma multa ao seu marido de 160 mil euros.

Longe da música, Tamim viu-se envolvida num escândalo de droga, entre outras crises de álcool, e desapareceu de cena na ilha de Jumeriah, a famosa ilha artificial da Palmeira em Dubai.

Foto: Arquivo

A sua última canção foi em 2006, uma homenagem dedicada ao primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, morto num atentado.

Veja o video de uma das apresentações de Tamim no programa Operação Triunfo



Um comentário:

Ana Maria disse...

Toinho,
Primorosa e impressionante a sua reportagem, meus parabéns!
Lamentável a atitude de poderosos e cruéis como esse egípcio, considerando o teor de sua publicação eu espero que a justiça se cumpra.
Abração e bom domingo!